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Opinião: Revisitando a "parceria" entre a REDE CNT e a TVJB em 2007 - O que aconteceu de fato? O que deu errado? Como poderia ter dado certo? (Escrito por Danilo Aguiar)


Amigos do Blog TVs do RJ, nesta postagem não vou me apegar a questão da programação veiculada pela TVJB em seus 5 meses de existência. Essa postagem vai focar nos erros de estratégia para a montagem da rede de televisão e no que isso acarretou para Nelson Tanure após o fracasso dessa empreitada. Ao final, estou apontando uma estratégia diferente apontada por vários grupos de discussão na internet à época, fins de 2006 e 2007.

No final de setembro de 2006 vários sites de televisão e especializados noticiaram que Nelson Tanure, então, proprietário do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil reunidos sob a bandeira da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) teria "comprado" a Rede CNT. Ao longo do mês de outubro do mesmo ano a notícia foi sendo refinada nos sites e descobriu-se que tratava-se de uma compra de horários por parte de Nelson Tanure junto a CNT.

A Rede CNT anunciou que estava ocorrendo um verdadeiro casamento mas
na verdade não passava de um aluguel de espaço entre as duas empresas

Após muita pesquisa em sites na época, do pouco que foi noticiado, o que aconteceu de fato foi uma compra de 24 horas da programação da Rede CNT em suas emissoras e retransmissores pelo valor de R$ 3 milhões mensais por um período inicial de 5 anos renováveis por igual período. Depois de uma pesquisa mais aprofundada, cheguei a conclusão, e certa certeza, de que no contrato havia a possibilidade de compra da rede mas, talvez, jamais saberemos em que condições seria a compra. 

A grande curiosidade desse contrato, do que foi divulgado, é que não se tratava de "aluguel" das emissoras, mas de compra de todos os horários disponibilizados por ela. Isso queria dizer que o proprietário da CNT teria total controle da rede e do que seria exibido nas emissoras e retransmissoras. Nelson Tanure poderia colocar o que quiser no ar da Rede CNT se honra-se com os compromissos mensais de compra de horários.

A empolgação da CBM era visível em seus veículos na época,
esperavam ter a 3° rede nacional de televisão em pouco tempo.

No mesmo mês de outubro foi anunciado que a produtora Casa Blanca, de São Paulo, serviria como sede da nova emissora, ainda com o nome a ser definido. Em novembro, decidiu-se que a Produtora GGP do apresentador Augusto Liberato, serviria como sede da emissora. Localizado em São Paulo, com 2 estúdios (respectivamente 500 m² e 108 m²), relativa área de produção e técnica, após algumas adaptações, estava pronta a sede da nova emissora que se chamaria TVJB.

Espaço da produtora GGP em São Paulo

Basicamente, o sinal gerado na produtora GGP subia para o satélite e a CNT em Curitiba redistribuía o sinal para a sua rede. Durante o tempo de existência do canal, nenhum sinal distribuído pela TVJB, seja para as distribuidoras de TV a CABO, Via satélite, ou emissoras locais (Existiram algumas) era desse canal gerado na produtora, todos os sinais saíam da emissora de Curitiba conforme previsto em contrato das partes envolvidas no negócio. Esse "sobe" e "desce" de sinal, somado a equipamentos de transmissão inapropriados para uma emissora de televisão, muita coisa ali analógica, teve como resultado inúmeros problemas técnicos e uma imagem muito aquém do que era feito em outras emissoras na época.

Obrigações de cada parte no negócio

Cabia a Companhia Brasileira de Multimídia, além do pagamento do aluguel de horários, enviar para a CNT a geração de imagens durante as horas contratadas, ou seja, as 24 horas diárias. Do mesmo modo, cabia a CNT distribuir o sinal para as emissoras próprias e retransmissoras. Manter o sinal na rede com qualidade, expandir o sinal, com novas retransmissoras, e o aumento de potência nas retransmissoras já existentes.

Durante a exibição da programação da TVJB, a rede CNT incluía seu logo na imagem, denunciando, assim, que a parceria não existia, o que existia era a venda de horários.

O que cada parte alega que a outra não cumpriu

A CNT alegou que o grupo de Nelson Tanure estava em atraso nos pagamentos e não estava honrando a parte financeira do contrato. Já Nelson Tanure, através da Companhia Brasileira de Multimídia, alegou que a Rede CNT não estava cumprindo com sua parte no acordo, com várias retransmissoras desativadas por falta de manutenção, inclusive em capitais, o defeito no transmissor da cidade de São Paulo, que tinha 40 kw, que passou todo o ano de 2006 funcionando com um reserva de 10 Kw, entre outros. No resumo, Tanure dá a entender que houve uma espécie de "sabotagem" por parte da família Martinez.

Um negócio fadado ao fracasso

Não era um arrendamento da rede, tampouco uma parceria, não era compra, era apenas um aluguel de espaço. E, para piorar, alugar uma produtora de 1 estúdio e meio, não parecia muito lógico. Era a quarteirização de um projeto de rede nacional. Para quem estava propondo ser no futuro a 3° rede de televisão do Brasil, ficou claro que os R$ 50 milhões de reais separados por Tanure para esse projeto estavam sendo investidos da maneira errada.

Fator "Família Martinez"

Jamais saberemos o que estava na íntegra do contrato entre a CBM e a CNT. Mas, aos mais chegados da Família Martinez, proprietários da Rede CNT, é claro que eles jamais se desfariam da TV como negócio, a não ser que o valor e as condições fossem muito bem vantajosas. E, se o contrato entre as duas partes previsse compra de concessões no futuro, e uma das partes estivesse, digamos, arrependida, desfazer o acordo sem pagamento de multas, era o caminho. O atraso do pagamento do aluguel de espaço caiu como uma luva para desfazer o negócio.

Fim da Rede e lições


A TVJB ainda sobreviveu por uma semana na RBTV mas teve suas operações encerradas.

Após alguns meses de atraso no pagamento do aluguel de espaço, em 3 de Setembro de 2006, exatamente às 18 horas, a CNT Curitiba, geradora da Rede, corta o sinal enviado pela produtora GGP e começa a veicular videoclips. Na semana seguinte a programação retornaria pela jovem RBTV mas em 17 de setembro, encerrava-se definitivamente a empreitada da CBM. Provou-se que no Brasil, sem concessão, não se tem uma emissora. Provou-se que a terceirização da geração, produção e distribuição trás custos e não trouxe retorno. Foi uma aventura que trouxe muito mais prejuízos para a CBM, precipitando o fim de outros veículos do grupo entre 2007 e 2010, inclusive o próprio Jornal do Brasil. Outro ponto decisivo foi o desconhecimento completo de Nelson Tanure quanto ao funcionamento de uma rede de televisão e a nomeação de pessoas que, igualmente, não conheciam o funcionamento técnico e politico de um canal de televisão.

O que poderia ser feito para essa história ter um outro final?

Partindo do princípio que estamos falando de 2006 e que participei, como autor dessa postagem, na época, de grupos de discussão sobre esse assunto. Apontarei uma certa alternativa, muito comentada na época, que poderia ter mudado essa história. Na época, a CNT só tinha as concessões do Rio de Janeiro, Americana (SP), Curitiba e Londrina. A concessão de Salvador só entrou no ar em 2009 e de Caxias do Sul somente 10 anos depois. Portanto, falaremos da CNT de 2006 e partiremos do princípio de que Flávio Martinez realmente queria ganhar dinheiro além de somente vender horários. ok?

Em relação as concessões de TV, para uma rede de televisão o que importaria são somente duas praças: São Paulo e Rio de Janeiro. Na cidade de São Paulo, a CNT não tem concessão, logo, era necessário negociar com um concessionário. Um grupo em especial poderia, e pode ainda hoje, chamar a atenção: O Canal 21 do Grupo Bandeirantes. De acordo com o mercado, não é de hoje que esse canal não é colocado a venda e em 2006 com o fim da parceria com a PlayTV, estava aberto uma negociação de parceria real, ou seja, aquisição de uma parte que garantisse a chegada da nova rede de Tanure ao estado de São Paulo. Poderia ser 50% ou mesmo, somente uma porcentagem menor mas que garantisse a chegada da rede lá naquele estado.

Em relação ao Rio de Janeiro, a mesma CNT poderia ser objeto de outro acordo: Aquisição de uma participação de 50% da concessão do canal 9 e a garantia de afiliação das emissoras de Curitiba e Londrina. Nos outros estados, a rede de televisão de Nelson Tanure negociaria caso a caso. As emissoras em posse da nova rede (SP e RJ) ficaria responsável pela construção da rede de retransmissoras e nos outros estados. A CNT ficaria com a concessão de Americana (SP) e suas retransmissoras, inclusive fora do estado, pelo Brasil, continuaria em posse da família Martinez para continuar a veicular seus programas terceirizados.

A sede da nova rede poderia ficar no Rio de Janeiro ou em São Paulo. A decisão da nova sede estaria condicionada a que cidade o grupo possui o controle de fato da emissora. Não faz sentido instalar a sede da rede em uma concessão onde não possui ao menos 50% do controle. A outra cidade ficaria operando como uma emissora afiliada. A experiência da RBTV mostra que um imóvel multiuso pode ser convertida para emissora de TV. Programação, construção de infraestrutura adequada e outros acordos seriam conseguidos sem terceirização... Talvez, os R$ 50 milhões "jogados fora" teriam sido bem empregados se usados com conhecimento e inteligência.

Cabe lembrar que essa análise acima é algo pessoal e está condicionada a opinião de todos os leitores, deixo esse espaço aberto para novas leituras no Blog TVs do RJ.

Leia mais sobre o assunto





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  1. O Jornal do Brasil voltoiu a ser publicado no RJ. Qual grupo ressuscitou o JB

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    1. A Empresa JORNAL DO BRASIL S/A, dona do jornal, estava virtualmente falida em 2001. Decidiu-se ARRENDAR a marca do jornal por 60 anos (prorrogáveis por mais 30, totalizando 90 anos) a Nelson Tanure, então investidor de empresas como a Docas Investimentos. A idéia de Tanure era sanear os custos, aumentar as vendagens do jornal e passar esse arrendamento a diante para outro proprietário. No princípio, até houve um aumento das vendagens mas não se sustentou. Não ocorreu como esperável, e as vendagens do jornal começaram a cair em 2008 chegando a dramáticas 20 mil exemplares em 2010, ano do encerramento da versão impressa, continuando existindo através de um site (www.jb.com.br). Manter o site no ar fazia parte do contrato de arrendamento da marca. Em 2017, o empresário Omar Peres fecha um contrato de sub-licenciamento da marca junto a Nelson Tanure. Assim, ele poderá usar a marca jornal do Brasil para jornais impressos e a gestão do site por 30 anos.

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  2. Nem sabia que a Rede Brasil de Televisão tinha sinal no Rio de Janeiro em 2007...

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    1. Na verdade, no Rio, foi pelo canal 57 analógico, vindo de Petrópolis. Depois a Anatel mudou o canal para o 55 analógico, também vindo de Petrópolis. O sinal era ruim, mas assistível. Era cheio de chiados. Hoje é o AShowTV! e opera em Petrópolis, no canal 26 físico (Talvez 26.1 digital). E a RBTV no Rio opera atualmente, depois de ficar um tempo fora do ar, no canal 51.1 (51 físico), que é o canal, dizem que, da Rede Gospel de Televisão, dos Hernandes (da Renascer em Cristo).

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  3. CNT e seus "casamentos".foi tantos desses que hoje tá do jeito que tá. O Rio não merece um canal inútil desse.

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  4. CNT e seus "casamentos".foi tantos desses que hoje tá do jeito que tá. O Rio não merece um canal inútil desse.

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  5. A TVJB não ocupava 24h da grade da CNT. Começou das 18h a 0h se não me engano e depois colocaram um programa pela manhã. Acho que no auge não chegou nem a 12h.

    Que canal era esse 34 UHF que a Rede Brasil operava no Rio de Janeiro?

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    1. A TVJB durante a vigencia do aluguel de horários gerava 24 horas da programação direto da GGP. Os programas terceirizados que continuavam na grade pagavam pelos horários a TVJB.

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    2. A TVJB durante a vigencia do aluguel de horários gerava 24 horas da programação direto da GGP. Os programas terceirizados que continuavam na grade pagavam pelos horários a TVJB.

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  6. E o Jornal do Brasil impresso voltou.

    O sinal da CNT de Americana atende a capital paulista pelo que sei. O que não deve é dar direito a entrar na NET na capital paulista

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  7. Esporte interativo poderia comprar a CNT.

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    1. Só q a marca Esporte Interativo é da Warner Media (antiga Time Warner).

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