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Rádio UERJ: uma rádio pirata dos anos 90

Não sei se todos os meus amigos sabem. Se não sabem, saibam que eu fui soldado da Aeronáutica entre os anos de 1995 e 1999. Fiquei exatamente quatro anos (já descontado o período de recrutamento no Campo dos Afonsos) servindo no Centro de Computação de Aeronáutica do Rio de Janeiro, que na época ficava no aeroporto Santos-Dumont. Nesta época, eu ia e voltava para casa quase todo dia pegando um ônibus que passava bem em frente ao campus da UERJ, no Maracanã.

Já no ano de 1995, eu ia e voltava pro serviço ouvindo rádio com fone de ouvido. Naquele ano, me chamou a atenção uma rádio muito bem feita, que transmitia em FM 96,1 MHz e só pegava na própria UERJ e nos arredores. O sinal dela ia até a estação de metrô de São Cristóvão e o início da rua 24 de Maio, atingindo facilmente a rua Visconde de Niterói e provavelmente o Morro da Mangueira. A programação da rádio era excelente. Tinha basicamente MPB e rock, e sempre estavam dando alguma notícia curta ou entrevistando alguém do circuito musical da cidade.

Mais tarde fui descobrir que a tal emissora se chamava Rádio UERJ, mas apesar do nome, não tinha vínculos com a universidade ou qualquer um de seus funcionários ou dirigentes. Era uma rádio pirata, integrante da onda de rádios comunitárias que houve no Rio de Janeiro naquela época. A rádio era tocada basicamente por estudantes da própria UERJ.

Eu gostava de ouvir aquela rádio. A Fluminense FM já tinha sido extinta, e estava sentindo falta de algo alternativo no dial carioca. Valia a pena ouvir aquela rádio, mesmo que fosse apenas por alguns minutos, no trajeto casa-quartel e quartel-casa.

A rádio foi bem, até o dia em que uns estrupícios fizeram no horário diurno da rádio um programa que eu não tive o desprazer de sintonizar, mas que fiquei sabendo por matérias da imprensa, na época. Os estrupícios fizeram o programa Que bagulho é esse?, que simplesmente dava diariamente a cotação das trouxinhas de maconha nas bocas de fumo da região. Os caras do programa chegavam ao requinte de anunciar os locais onde a polícia estava fazendo batidas (procurando traficantes de drogas) e orientavam os ouvintes usuários de drogas pra que não fossem nesses locais, e que fossem em outras bocas de fumo. Deu uma confusão daquelas. A Polícia Federal foi lá na sede da rádio (na verdade, uma salinha da própria UERJ, alguns andares bem acima da entrada principal do campus), fechou a emissora e apreendeu os equipamentos. A reitoria da UERJ disse na época desconhecer a existência da rádio pirata dentro do campus. Aqueles dirigentes definitivamente não ouviam rádio ou não sabiam o que acontecia no campus da UERJ. Não vi na imprensa se alguém foi indiciado ou condenado pela rádio pirata ou pelo crime de apologia de entorpecentes. A Rádio UERJ foi fechada em meados de 1996.

Nunca soube onde ficava a antena transmissora da Rádio UERJ. Eu imaginava que pudesse ficar bem no alto do prédio principal do campus da UERJ, onde ficava a própria sede da rádio. Isso garantiria um senhor alcance para o sinal da rádio. Mas não duvido nada que a antena ficasse dentro da salinha da rádio, de tão amadoras que eram várias dessas rádios piratas dos anos 90.

Esta é somente mais uma história do sofrido dial carioca. E mais uma história de uma rádio pirata supostamente "comunitária".

Agradeço aos leitores por prestigiarem a coluna. O espaço fica livre para os comentários.

Até a próxima!

Marcelo Delfino

Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro
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  1. Se nesta época já existia rádios piratas,imagine hoje,ano 2012?!Aqui na Ilha há pelos menos 7 piratonas de frequencia modulada.5 de cunho evangélico e 2 dedicados ao funk de letras pesadas,fazendo apologia ao crime.
    Não vou citar nomes dessas rádios,mas digo as frequencias:88,1,90,7,94,5,100,9,105,5,106,1 e 107,7.
    A PF,já fechou ás piratonas,mas logo depois voltavam ao ar.
    Se aqui fosse país sério,quem pratica este crime,poderá até pegar 30 anos de cadeia,como já acontece nos EUA e alguns países da Europa.
    Uma vergonha!!!

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  2. Achei curiosa essa parte aqui
    "...Já no ano de 1995, eu ia e voltava pro serviço ouvindo rádio com fone de ouvido..."

    Não seria um Walkman de 50 quilos

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  3. Leve somente na brincadeira o comentário, acima, achei muito interessante.
    Uma vez quando fui trabalhar com meu pai, perto de comunidade aos arredores de Colégio, Irajá, Vista Alegre, não me lembro espefeciamente o bairro tinha rádio pirata funkeiroa que tocava funk antigo, e em Cascadura tem 101,1 se eu não me engano que toca charme e black music se não me engano...

    É muito curioso esse negocio de rádio pirata, mais o pessaol da molinho pois ir preso, hoje em dia é tão fácil tem uma web radio apesar de não ter a mesma força do que uma rádio sintonizada em FM

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  4. Isso mesmo. Eram portáteis da Aiwa, bem jeitosos. Desses que tinham AM, FM e toca-fitas. Um deles tinha dial digital e memória. Os outros eram 100% analógicos. Depois parti para um miúdo radinho Sony, só com AM e FM (não tocava fitas), que funcionava com duas pilhas palito e tinha dez memórias, 5 AM e 5 FM. Não tenho mais nenhum desses portáteis. Hoje só ouço a MP3 FM, mesmo. O celular já dá conta.

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  5. Armando Torres Digitais21 de abril de 2012 18:33

    Segundo dados parciais do Ibope, a Jovem Pan Rio com apenas 1 mês no ar, já passou a primeira concorrente.
    A emissora entrou no ar dia 7 de março.
    Eu falei que a rádio era um foguete. E ainda li gente q pensa que entende, criticando, mesmo com poucas semanas de operação.
    Agora, parafraseando Emílio Surita...
    Chupa, Calainho! rsrsrsrs

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  6. Agora a Jovem Pan vai reinar absoluta a liderança do segmento jovem/pop.Duvido que a Mix FM,retome a liderança tão cedo,ainda mais com a programação pior do que a Transamérica,(risos).

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