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Opinião: Revisitando o fim da parceria entre a CNT e a TV Gazeta em 01/06/2000 (Por Danilo Aguiar)


Apesar do site TVs do RJ cobrir notícias relativas a parte técnica no Rio de Janeiro, acredito que, ainda assim, há algum espaço para discutir a política de televisão e alguns episódios pouco comentados e divulgados. O episódio específico do fim da parceria da Rede CNT e a TV Gazeta de São Paulo entre 1999-2000 ainda é muito pouco documentado e, estranhamente, poucos sites especializados evitam aprofundar a pesquisa em relação ao assunto.

O acordo entre a Rede CNT e a TV Gazeta, vigente entre 15 de Março de 1992 e 01 de Junho de 2000 era basicamente um escambo de programação. As 10 horas diárias de "rede" eram divididas entre as 4 horas que a CNT teria de espaço para exibir sua programação em São Paulo e 6 horas que a TV Gazeta teria de espaço para exibir na CNT. Lógico que, ao longo do tempo, esse tempo horário variou mas o cenário geral era exatamente esse.

No acordo, os programas da TV Gazeta chegariam a outros estados através da CNT. Ou seja, era vedado a TV Gazeta afiliar diretamente emissoras se não fosse por intermédio da Rede CNT. Do mesmo modo, no estado de São Paulo (Especialmente no noroeste do estado), haviam retransmissoras da Rede CNT que exibiam as imagens diretamente da TV Gazeta de São Paulo. Em meados dos anos 90, as afiliadas da Rede CNT no interior paulista exibiam a programação diretamente da TV Gazeta.

Tudo corria mais ou menos bem até 1997. Foi o ano que a Rede CNT consegue, através de licitação de concorrência pública, a concessão do canal 52 da cidade de Americana, no interior de São Paulo. Ao que me consta, nesse ano, a TV Gazeta solicitou a direção da CNT informações sobre a política a ser adotada pela futura emissora: Exibiria a programação da TV Gazeta ou Rede CNT? E a resposta dada pela televisão paranaense não agradou os paulistas.

Entre 1992 e 1997 a TV Gazeta sempre exibiu a programação selecionada pela Rede CNT mesmo que esses programas tivessem a menor audiência na grade de programação. A partir de então, a TV Gazeta passou a cortar de surpresa da grade de exibição em São Paulo de produtos com baixa audiência ou que não eram interessante. O "Cadeia" (programa policialesco) e o Jornal da CNT, saiu do ar em São Paulo, de surpresa, sem que a Rede CNT tenha sido comunicada, era o início do fim.

Em 1998 a TV Gazeta começou a solicitar junto ao Ministério das Comunicações retransmissoras em todas as cidades do estado de São Paulo, inclusive aquelas cidades onde a Rede CNT possuía retransmissoras. Estranhamente, a Rede CNT não conseguiu entender que a parceria estava acabando e devolveu a Embratel o sinal analógico no satélite Brasilsat B1 deixando a TV Gazeta sozinha como detentora do sinal da Rede CNT/Gazeta.

Em 1999 ocorre outro duro golpe na parceria entre a Rede CNT e a Gazeta, a emissora paulista corta definitivamente toda a programação gerada pela televisão paranaense para São Paulo. A Rede CNT se torna retransmissora da TV Gazeta. Alguns programas como Mãe de Gravata (Ronie Von) e Família Sertaneja  apesar de serem produzidos pela Rede CNT, eram gerados nos estúdios da TV Gazeta, e se mantiveram na grade. Os programas gerados no Paraná mantiveram a exibição da rede CNT. 

No mesmo ano de 1999, a Rede CNT ganha a licitação para implantação de um canal em Salvador (BA) e estava entre os candidatos a outra licitação pública pelo canal 14 de São Paulo e em Brasília estavam dentre os interessados em outra licitação de geradora na cidade. Era visível que a Rede CNT buscava canal próprio em São Paulo e Brasília mas também não havia esforço da emissora paranaense na implantação de uma rede própria de retransmissoras pelo país. A emissora não investia no seu próprio futuro após a separação.

Em 17 de maio de 2000 a Folha de São Paulo publica notícia que a Rede CNT e a TV Gazeta não tinham chegado a nenhum acordo e em 01/06/2000 seria desfeita a parceria. Juntas, as duas redes possuíam cerca de 40 emissoras afiliadas espalhadas pelo país, separadas, as emissoras que eram afiliadas foram para outras redes como a jovem RedeTV!, Rede Record, Bandeirantes e SBT. Em pouco tempo, a 5° rede nacional de Televisão, nos anos 90, se desfez em poucos dias.

O Programa Mãe de Gravata após o fim da parceria com a Gazeta deixou o horário das 16:30 hs e passou para o horário das 14 horas sendo um substituto para o Programa Mulheres da Gazeta 

Após a separação, por três meses a Rede CNT manteve uma programação própria com os programas que tinha, filmes e séries enlatadas, produzidos e gerados no Paraná e um programa noturno diário terceirizado feito no Rio (Eles&Elas). Anunciaram com grande pompa que iriam investir em infraestrutura com a compra de um prédio na Alameda Santos (O mesmo que está sendo vendido agora) e a compra de um espaço para linha de Shows (Teatro CNT) mas nada foi adiante. De alguma forma, a Rede CNT acreditava que ganharia a licitação desses dois canais em São Paulo e Brasília, o que não se concretizou.

Um detalhe nessa imagem de 2000 é o aparecimento da marca d'água da CNT no campo inferior, a Rede precisava se diferenciar da TV Gazeta que já tinha abandonado a marca da CNT antes.

Pouco tempo depois, a venda de horários para programas terceirizados dominou a programação. Em 2001, a emissora inaugura sua emissora própria em Americana (SP) e retransmissora na capital pelo canal 27 UHF, mas a essa altura, o que os paulistas viram já não era mais a CNT da parceria com a TV Gazeta, apenas viram mais uma emissora fantasma.

Aqui cabe um comentário: Mesmo sendo a segunda maior praça do país, a CNT nunca viu sua emissora no Rio de Janeiro seriamente como uma praça importante para a rede. O prédio da sede em São Cristóvão é exatamente o mesmo de 1992 quando comprado de Silvio Santos. O transmissor fica na torre do SBT, exatamente como em 1992. Se, em 2000, a sede da CNT fosse mais arrojada, com maior espaço de produção, a CNT poderia ter transferido sua base de operações para o Rio de Janeiro com grandes chances de que o mercado publicitário daqui ter mantido o faturamento da rede em níveis razoáveis.

Desde 1997 era visível que a parceria entre a Rede CNT e a Gazeta não sobreviveria muito tempo. Nenhuma das duas partes se preparou, durante esse tempo para o fim? Se já não era possível manter a TV Gazeta uma importante parceira, por qual motivo não buscar novos parceiros? Por qual motivo não implantar retransmissoras pelo país? Por qual motivo não se preparar? Talvez, a decisão da família Martinez, dona da CNT, em vender a programação, seja a resposta que procuramos.

Visite algumas postagens da época:


Observações: Apesar da matéria do Estadão falar que a parceria seria desfeita em 01/06, somente ocorreu de fato em 05/06 conforme o limite do contrato estipulava. Apesar dos planos da CNT de conseguirem entrar em São Paulo com emissora própria em com transmissor de 60 Khz em poucos dias. Isso só ocorreu em 2001 com um transmissor de 10 Khz e em 2004 aumentando para 40 Khz. Sinceramente, considero um grande erro a CNT não ter conversado com a Band em torno do Canal 21 ou mesmo com o ganhador da concessão perdida pela CNT (14 UHF) ou mesmo uma solução mais arrojada como uma retransmissora VHF (Canais 8, 10 e 12) em algum ponto próximo da cidade de São Paulo numa geografia mais favorável (Evitando interferência).
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  1. Finalmente um texto bem escrito e coerente nesse site.
    Tem informações aí que eu não sabia.
    Realmente uma pena a CNT ter optado pelo ostracismo, hoje podia ser uma grande rede com sede no Rio.

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